sábado, 16 de julho de 2016

Linguagem Enoquiano



Para quem acredita, o Enoquiano é uma língua oculta que teria sido revelada por anjos ao renascentista inglês John Dee, astrólogo da corte da rainha Elizabeth I e a seu colaborador, o vidente Edward Kelley, de 1581 a 1607.

Dee referia-se a essa língua como Angelical ou Adâmica, mas como também escreveu que último ser humano a conhecê-la antes dele mesmo teria sido o profeta hebreu Enoque, essa língua veio a ser conhecida como “enoquiano”.

Segundo Dee, o enoquiano foi a linguagem usada por Deus para criar o mundo e em seguida usada por Adão para falar com Deus e os anjos e para dar nome a todas as coisas.

Adam teria esquecido essa língua ao ser expulso do Paraíso e construído uma forma de proto-hebraico baseada em sua vaga memória do Enoquiano. Esse proto-hebraico teria sido a língua humana universal até a Confusão das Línguas no episódio da Torre de Babel. Depois disso, todas as línguas humanas se desenvolveram, inclusive uma forma ainda mais modificada do hebraico, a qual conhecemos como "hebraico bíblico".

Da época de Adão à época de Dee e Kelley, o Enoquiano foi oculto aos humanos, com a única exceção do patriarca Enoque, que registrou o "Livro de Loagaeth" (Fala de Deus) para a humanidade. Entretanto, o livro teria sido perdido no Dilúvio de Noé.
Entretanto, alguns linguistas, como Donald Laycock, estudaram enoquiano, e afirmaram que não existe nada de excepcional em sua construção. 

Sou Deísta


John De

domingo, 10 de julho de 2016

Nefertiti a rainha misteriosa

A vida e a morte de uma das mais importantes rainhas da História são cercadas de mistérios. Nefertiti a esposa do faraó Akhenaton. Confira algumas lendas sobre uma das mulheres mais belas que já governaram o Egito.

Busto de Nefertiti
A rainha do Egito, Nefertiti, teve uma vida e um destino misterioso. Historiadores e estudiosos do Egito Antigo nunca conseguiram chegar a uma conclusão exata do que aconteceu com ela. Se ela sumiu ou foi assassinada, há controvérsias. Pesquisadores acreditam que Nefertiti e Akhenaton foram rejeitados pelo seu povo, que considerou a adoração a Athon uma heresia.
Na tumba de Akhenaton, até hoje, apenas objetos foram encontrados — sugerindo que Nefertiti nunca foi sepultada com ele. Também não há registro oficial da rainha em nenhum outro lugar. Não se sabe se a rainha assumiu o trono após a morte do marido, antes de Tutankhamon. Há evidências de que Nefertiti morreu durante o 14.º ano do reino de Akhenaton. Algumas teorias falam sobre assassinato de sacerdotes que não concordavam com a imposição de culto a um único deus no Egito, feito pelo casal.
Apesar de Akhenaton ter tido um filho com sua concubina Kia — Tutankhamon — o sucessor nomeado por ele foi Smenkhkare. Entre os egiptólogos, alguns acreditam que ele era outro filho de Akhenaton com Kia. Outros acham que Smenkhkare era meio-irmão de Akhenaton, ou outro membro da família real. Mas foi Tutankhamon que subiu ao trono em 1333 a.C.



domingo, 3 de julho de 2016

Akhenaton o pai do monoteísmo



Muitas pessoas pensam que Moisés foi o primeiro promotor original do Único Deus Verdadeiro.

Busto de Akhenaton
Os egípcios eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses, alguns representados por cabeças de animais. Cada cidade tinha seus deuses particulares e, quando se tornava capital do Império, esses deuses passavam a ser adorados em todo o Egito. Com Akhenaton, porém, tudo mudou. Para ele, existia somente um deus, o disco solar. O Athon.
Akhenaton insistia em um deus supremo, um criador onipotente que se manifestava à luz do Sol. Na verdade, esse pensamento de endeusamento havia começado com seu pai, Amenofis III, que reinou por 37 anos numa era de esplendor. Usou ele a riqueza do império para construir um conjunto de monumentos sem precedentes em Karnack e Luxor, centros religiosos do deus Amon, o patrono de Tebas. Depois que essa cidade recuperou o controle do Egito, por volta de 1520 a.C., Amon tornou-se cada vez mais venerado. Seu nome significa “oculto” e, no seu templo em Karnack, sacerdotes cultuavam sua estátua. Amon logo se fundiu ao antigo deus-sol  Rá, tornando-se Amon-Rá. Em seu reinado, Amenófis III, já havia determinado que ele não só era o filho de Amon, mas também a encarnação de Rá. Começou então a erigir monumentos à sua própria divindade, incluindo um vasto templo funerário, que contemplava Tebas da margem oposta do Nilo. Espelhando-se em seu pai, Akhenaton revolucionou a religião antiga. Por um breve período, os egípcios acreditaram que o deus-sol voltará a Terra na forma da família real. Houve um entusiasmo coletivo que se torna tangível na arte e na arquitetura. Todo o país celebrou aquela volta. Foi um dos períodos mais admiráveis da historia egípcia.
A idéia do deus único e universal foi se tornando cada vez mais consistente para Akhenaton. Com sabedoria e coragem, ele foi dando passos firmes para a construção de seu propósito. Era preciso materializar a idéia. Durante o quarto ano de seu reinado, Akhenaton definiu o local onde seria erguida uma nova cidade, um santuário para Athon. Sua escolha não se deu ao acaso, mas dentro de todo um simbolismo coerente com a nova doutrina. 
A cidade tinha que ser chamada Tell el Amarna que significa O Horizonte de Athon, portanto, A Cidade do Sol. Estava localizada perto do Nilo, portanto, perto da linha da vida do Egito e a meio caminho entre Mênfis e Tebas, ou seja, simbolicamente seria o ponto de equilíbrio entre o mundo material e o mundo espiritual.
A proclamação recebeu integral apoio do clero de Heliópolis. Amarna passava a ser a nova cidade teológica onde seria adorado um deus solar, único. Com a construção de Amarna, num local em que o homem jamais havia trabalhado, Akhenaton prova que não é um místico sonhador, mas alguém compromissado em construir seus ideais, disposto a fazer uma nova era de consciência de Deus. 

Sou Deísta



sábado, 4 de junho de 2016

Múmias Egípcias

A vida eterna é matéria prima de quase todas as religiões. Desde os primórdios da humanidade o homem tem buscado a vida eterna. A cruz Ankh se liga fundamentalmente aos conceitos de vida e morte, ou melhor, de vida eterna (Nem Ankh). A cruz Ankh concede o dom da imortalidade, ou o controle sobre os ciclos vitais da natureza, ou seja, o início e fim da vida. Em algumas situações, é encontrada próxima a boca das figuras dos deuses, neste caso significa um Sopro da vida.

Cruz Ankh
Múmias egípcias

Entende-se por politeísmo a crença em vários deuses. Os egípcios, povos politeístas, acreditavam na vida eterna após a morte, em que o espírito do falecido voltava para tomar seu corpo. Para abrigar o cadáver, construíram as pirâmides. E para preservar o corpo (enquanto o espírito não retornava) inventaram a mumificação. Em conseqüência deste processo, os egípcios iniciaram os estudos da anatomia e descobriram várias substâncias químicas, na busca de substâncias para a preservação do corpo.

Primeiramente, todas as vísceras do cadáver eram retiradas. Um corte era feito na altura do abdômen, de onde era retirado o coração, o fígado, o intestino, os rins, o estômago, a bexiga, o baço, etc. O coração era colocado em um recipiente à parte. O cérebro também era retirado. Aplicavam uma espécie de ácido (via nasal) que o derretia, facilitando sua extração.

Em seguida, deixavam o corpo repousando em um vasilhame com água e sal (para desidratá-lo e matar as bactérias) durante setenta dias. Desidratado, o corpo era preenchido com serragem, ervam aromáticas (para evitar sua deterioração) e alguns textos sagrados.

Depois de todas essas etapas, o corpo estava pronto para ser enfaixado. Ataduras de linho branco eram passadas ao redor do corpo, seguidas de uma cola especial. Após esse processo, o corpo era colocado em um ataúde e abrigado dentro de um sarcófago ou sepultado em uma câmara mortuária.


Sarcófago Egípcio
Ataúde
Segundo a religião egípcia, após a morte, o espírito era guiado pelo deus Anúbis até o Tribunal de Osíris, que o julgaria na presença de outros 42 deuses. Seu coração era pesado em uma balança, que tinha como contrapeso uma pena. Se o coração fosse mais leve que a pena, o espírito receberia a permissão para voltar e retomar seu corpo. Caso contrário, seria devorado por uma deusa com cabeça de jacaré. Os egípcios acreditavam em deuses híbridos: metade homem, metade animal (antropozoomorfia).

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O Dualismo na Literatura Persa de Anjos & Demônios

     
Anjos & Demônios


     Deus e o Diabo, anjos e demônios, céu e inferno são sem dúvidas seres que atraem e mexem muito com o imaginário de muitas pessoas. São tantos mitos que envolvem o tema que com certeza dá margem para a criação de mais e mais história sobre esses seres que supostamente existem desde o principio de tudo.
     Ao falarmos sobre o século XXI, muitos, logo aponto essa como a era da tecnologia, da razão e da ampla circulação de conhecimento. Sob tal quadro, fica difícil imaginar que a figura mítica do demônio tenha espaço na explicação do mundo ou no próprio imaginário das pessoas. Entretanto, uma recente pesquisa demonstrou que o número de exorcistas, clérigos e pastores responsáveis pela expulsão de demônios, vêm crescendo de forma impressionante.
     Para muitos especialistas, o desenvolvimento da figura diabólica é fruto das várias dualidades que permeiam o cotidiano do homem. O belo e o feio, a sorte e o azar, o certo e o errado, a vida e a morte compõem jogos em que um lado assume significação positiva e o outro, necessariamente, uma posição completamente negativa. Dessa forma, não se enganem aqueles que acreditam que o universo demoníaco seja um traço singular às três religiões judaísmo, cristianismo e islamismo.
     No século VI a.C., o profeta persa Zoroastro realizou a descrição de um ser chamado Arimã. Segundo as suas palavras, Arimã era o “príncipe das trevas” e travava uma eterna luta contra Mazda, o “príncipe da luz”. Segundo historiadores, esse valor da religiosidade persa acabou sendo incorporado pelos hebreus durante o famoso Cativeiro da Babilônia. Naquele instante, a interação com a cultura estrangeira deu origem ao “satan”, termo que em sua tradução literal significa “acusador” ou “adversário”.
     Em um primeiro momento, o demônio hebraico não assume a postura estritamente aterrorizante que reconhecemos no cristianismo. Em várias passagens do Antigo Testamento, ele surge como uma espécie de colaborador que recebe a autoridade divina para punir ou testar os fiéis seguidores de YHWH. O sofrimento de Jó, que perdeu todas as suas terras e ficou adoentado, exemplifica esse tipo de postura que o demônio assume inicialmente no texto bíblico.
     Chegando aos textos do Novo Testamento, autores como João e Paulo dedicam linhas e mais linhas em terríveis batalhas em que o Diabo trava uma intensa guerra contra Deus. Nesse instante, de criaturas efêmeras e indefinidas, os demônios passam a fazer parte de uma legião de seres espirituais malignos chefiados por um líder supremo. Em uma dessas batalhas, podemos destacar uma descrição em que Lúcifer e um terço dos anjos são expulsos dos céus.

     No início do cristianismo, vários cristãos acreditavam que o demônio assumia várias feições. Somente no século IV, um concílio na cidade de Toledo descreveu minuciosamente o Diabo como um ser composto por chifres, pele preta ou avermelhada, com rabo e portador de um tridente. A partir de então, os relatos sobre experiências demoníacas ganhavam força em uma nova leva de narrativas.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Arte Rupestre na Serra da Capivara, Paui

Arte rupestre: significados e mistérios

Na Serra da Capivara, no sudeste do Piauí, à primeira vista uma pintura rupestre pode dizer muito ou nada. É que não sabemos ao certo os sentimentos e experiências contadas através dessa arte pelos primeiros artistas plásticos da humanidade. Gravadas em tetos e paredões rochosos, as pinturas rupestres são o Diário das Cavernas do homem pré-histórico. Assim, primitivo é quem chama a Arte Rupestre apenas de pintura antiga. A Arte Rupestre vale como um tesouro de expressões e representa a conexão semiótica de símbolos gráficos associados a sentimentos. Também registra momentos, narra períodos culturais, testemunha a perplexidade diante do inexplicável e demarca territórios. Desafiando a imaginação, nem tudo o que as pinturas rupestres dizem têm tradução: a maioria permanecerá como enigma do passado.
O que é uma pintura rupestre?
A pintura rupestre é a mais antiga e coletiva expressão artística da humanidade. Esta técnica espalhou-se quase que simultaneamente pelo planeta há mais de 40 mil anos, em data anterior à invenção da escrita ou do alfabeto. Assim, antes de escrever, o homem pintou e fez da pintura seu canal de expressão e comunicação. Ao utilizar signos associados a emoções e significados, deu pauta para a Semiótica, a ciência dos signos. Por sua posição na sequencia cronológica anterior à escrita, a pintura rupestre é qualificada como Arte Pré-História. Nem por isso é menos importante ou “primitiva”. Ao contrário de uma tela tradicional, os artistas rupestres usaram a superfície das rochas como base para a sua pintura, transformando o interior das cavernas e paredões nas primeiras galerias de arte da humanidade.
Pinturas rupestres: ocorrências em todo o Piauí.
Maria Conceição Lage, o primeiro Doutorado em Arqueologia conquistado por um piauiense, informa que no Estado já são conhecidos mais de 2.500 sítios arqueológicos. E são muito mais a catalogar e a descobrir. “O Piauí é um grande sítio arqueológico”, afirma. As ocorrências de pinturas rupestres se espalham pelos sertões e chapadas. Pinturas rupestres são ocorrências presentes desde a Chapada das Mangabeiras, no extremo Sul, ao município de Cajueiro da Praia, na ponta Norte. Pesquisadores justificam esse grandioso acervo pelo Estado ter sido, desde há milhares de anos, uma rota de passagem dos povos caçadores e coletores. Também contribuem as condições estáveis do clima seco e quente, favoráveis para a conservação natural das pinturas.
As tintas e cores da arte rupestre
As tintas naturais fabricadas pelos artistas rupestres eram obtidas e extraídas do próprio ambiente. A Hematita, um mineral abundante no Estado, com alta concentração do elemento Ferro, fornece um pigmento inorgânico de cor avermelhada. Do mineral Goetita, quando moído, se obtêm um pó marrom escuro que dá um pigmento de cor ocre muito comum nas pinturas. O Caulin, pigmento originário de uma argila branca, (na China há séculos é usado na produção de porcelana) quando misturado com a Hematita, adquire tom cinza. O carvão era o material fornecedor do único pigmento (preto) de orígem orgânica. Os materiais usados para aglutinar os pigmentos e produzir tinta à prova de escorrimento ou gotejamento, eram sangue, látex vegetal (seivas em geral), clara e gema de ovos.


O que é sítio arqueológico?
De Norte a Sul do Piauí são cerca de 900 Km em linha reta. De Leste a Oeste, 618 Km. Dentro deste perímetro são 251.529,186km² de área total, com milhares de sítios arqueológicos dentro. Os que já foram catalogados, visitados por arqueólogos e pesquisadores, ultrapassam 2 mil. Mas como se reconhece um sítio arqueológico. “Um sítio arqueológico é um local no qual os homens que viveram antes do início de nossa civilização deixaram algum vestígio de suas atividades: uma ferramenta de pedra lascada, uma fogueira na qual assaram sua comida, uma pintura, uma sepultura, a simples marca de seus passos” (FUMDAHM). Os sítios arqueológicos são diferentes pontos de encontros e de atividades que produzem vestígios e deixam marcas dos povos ocupantes. O que estiver mais raso é recente. Assim, quanto mais distante no tempo, mais fica coberto ou soterrado pelos sedimentos do tempo.
Como se calcula a idade de uma pintura rupestre?
Datação é o nome genérico que se dá aos procedimentos e técnicas científicas para medir a idade de materiais naturais (uma rocha), um artefato humano pré-histórico (machadinha), um antepassado (crânio) pintura rupestre e muito mais. 
Os métodos de datação utilizam várias referências. Uma delas é do Carbono-14, uma variedade radioativa cuja contagem da radiação perdida permite recuar no tempo até o limite preciso de aproximadamente 50 mil anos. A partir disso, outras opções como Termoluminescência, que mede o tempo transcorrido desde a última vez em que uma amostra sofreu aquecimento, é melhor indicada. Técnicas mais recentes, como a ressonância paramagnética nuclear (EPR), permite, com precisão de 10%, a datação de objetos entre 1000 a 1 milhão de anos.


sábado, 13 de fevereiro de 2016

Niède Guidon: povoamento do continente americano

Niède Guidon

Formada em História Natural pela USP, trabalhou no Museu Paulista, quando tomou conhecimento do sítio arqueológico de São Raimundo Nonato no Piauí, no ano de 1963.
Especializou-se em arqueologia pré-histórica, pela Sorbonne, e especialização pela Universidade de Paris I.
Desde 1973 integra a Missão Arqueológica Franco-Brasileira, concentrando no Piauí seus trabalhos, que culminaram na criação, ali, do Parque Nacional Serra da Capivara. Atualmente é Diretora Presidente da Fundação Museu do Homem Americano.
Niède Guidon

Os achados arqueológicos de Guidon levam a crer que o povoamento do continente americano se deu muito antes do que se acredita de ordinário. Enquanto a teoria mais comumente aceita do povoamento das Américas postula que os primeiros humanos chegaram no continente há 15.000 anos, alguns dos sítios arqueológicos de Guidon contém artefatos que datam de 45.000 anos atrás. O problema de sua hipotése é que o que é tido por Guidon e sua equipe como sendo "artefatos" é tido por outros como sendo "geofatos" - os primeiros sendo produtos do trabalho humano e os últimos sendo produtos da ação de forças naturais. Antropólogos estadunidenses - entre os quais estão os mais ferrenhos críticos das teorias de Guidon - se encontram em ambos os lados da questão: alguns aceitam as evidências arqueológicas sem contestá-las; outros pensam que elas não são sólidas o suficiente para derrubar as antigas hipotéses. Enquanto isso, os achados se acumulam.