domingo, 20 de janeiro de 2013

Cinema: Em 'Django Livre', Quentin Tarantino cria um faroeste-espaguete



O novo filme do cultuado diretor Quentin Tarantino chegou aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (18). Django Livre, estrelado por Jamie Foxx, Leonardo DiCaprio, Samuel L.Jackson, Christoph Waltz, entre outros, conta a história de um escravo que se torna caçador de recompensas e se prepara para resgatar sua mulher do cárcere de um violento fazendeiro. O longa foi indicado ao Oscar em cinco categorias, incluindo Melhor Filme, e já levou dois prêmios no Globo de Ouro deste ano, de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro.

Christoph Waltz e Jamie Foxx, em Django Livre
Leonardo DiCaprio, em Django Livre
O pano de fundo na realidade é recheado de referências a diversos gêneros cinematográficos, em especial ao western spaghetti, além de uma trilha sonora moderna e muita violência e humor, elementos sempre presentes na obra de Tarantino.

Jamie Foxx e Franco Nero, em Django Livre
Uma curiosidade: Franco Nero, o Django dos anos 60 faz uma ponta na versão de Tarantino.

Franco Nero, o Django dos anos 60
Assista o Trailer Oficial de "Django Livre"



Assista o Making Of de "Django Livre"

                                       





domingo, 13 de janeiro de 2013

A fascinante religião pré-histórica da Inglaterra


Última parte

A Inglaterra romana: 43 – 1065 

Toda religião é, de alguma forma, válida. São verdadeiras quando compreendidas metaforicamente. Mas quando elas empacam nas próprias metáforas, quando essas metáforas são interpretadas como fatos, então surgem os problemas.
Joseph Campbel

Estátua do Imperador
Trajano, Londres
Se você já ouviu falar de povos bárbaros, os Celtas eram uma das etnias que formavam esse grupo.

O nome Celta vem do grego “kéltios”, que significa “bárbaro além das montanhas”. O pouco que sabemos sobre os Celtas, é através dos relatos romanos, que por sua vez, sempre os colocam como um povo hostil. Por isso o nome bárbaro (a origem do nome bárbaro é porque os gregos diziam que a fonética dos povos do norte da Europa tinha o som semelhante a bar-bar). Na realidade, os Celtas não eram um povo hostil, apenas defenderam seu território quando atacados pelos romanos.

Os primeiros invasores que chegaram à Inglaterra foram os Celtas no séc. VIII a.C. Eles dividiam-se em diversas tribos, como a dos gaélicos e a dos bretões. Em 43 d.C., os exércitos romanos derrotaram as tribos célticas e Roma dominou a área.

Os britânicos defenderam sua terra, mas os romanos, militarmente superiores, conseguiram dominar a ilha. Ao estabelecer na Grã-Bretanha, os romanos construíram fortes e muralhas a fim de proteger a província contra outros povos guerreiros. Os romanos fundaram Londinium a atual cidade de Londres. A Inglaterra prosperou sob o domínio romano e Londres começou a progredir como cidade portuária. Durante esse período, o Cristianismo chegou à ilha pela primeira vez.

Ruínas romana em Londres,
foto By: Z3 View
A influência romana também foi muito forte na cultura religiosa da Grã-Bretanha. Primeiro, a própria história de deuses Celtas foi desaparecendo, transformando-os apenas em deuses romanos com nomes Celtas (uma relação mais ou menos parecida com a da mitologia grega com a romana). 

Os romanos também levaram para a ilha o Cristianismo que, quando da retirada das forças romanas no século V, já tinha força considerável na Grã-Bretanha. Depois, as próprias disputas internas aumentaram a influência do Cristianismo, fazendo a religião Celta desaparecer gradativamente e sem deixar muitos registros históricos, pois os druidas recusavam-se a escrever sobre seus dogmas e rituais. E no próprio povo britânico, até mesmo entre os nobres, era raríssima a prática da escrita.

Sem sobras de dúvidas os romanos foram instrumento involuntário para chegada do Cristianismo nas terras dos Celtas.  

Normalmente, os Celtas são ligados ao Halloween e Wicca, o que era uma tradição entre eles, tratando-se de um povo politeísta. Mas pouco se fala sobre sua conversão ao Cristianismo.

A conversão dos Celtas ao Cristianismo aconteceu em meados do século V. Alguns estudiosos, afirmam que no século I, havia seguidores do Cristianismo na Inglaterra (é provável, tratando-se dos gálatas serem um povo celta). Os grandes expoentes da conversão dos Celtas ao Cristianismo são os santos Patrick e Columba.

Algumas das características fundamentais do Cristianismo Celta, é que eles não eram ligados ao poderio do Papa – o que provocava um problema com Roma – e dessa forma, não se colocavam debaixo das regras do Cristianismo Católico Romano. Combatido pela Igreja de Roma – foi mesmo, por vezes, considerado herético – o Cristianismo Celta conhece numerosas evoluções que marcam o conjunto do Cristianismo.

Os Celtas também acreditavam cegamente na Trindade, porque na sua cultura, o número três era o número que organizava todas as leis e regras de sua antiga religião. Por isso não tiveram dificuldade em crer na Trindade.

Como a religião dos druidas era fortemente ligada à natureza, aqueles que se converteram ao Cristianismo preservaram essa característica. Os cultos dos Celtas eram realizados no meio das florestas e suas canções sempre exaltavam o Deus que criou todas as coisas. Isso fazia com que os Celtas fossem cuidadosos com a natureza.
Após a conversão dos Celtas ao Cristianismo, a Cruz Celta tornou-se um emblema da Igreja Cristã Celta.

Cruz Celta, New Forest,
Hampeshire, Inglaterra,
foto By: Z3 View
A origem da Cruz Celta não é clara, mas ela era conhecida por ser um símbolo do deus sol gaulês Taranis, comparado ao Júpiter dos romanos. Segundo Thomas Rausch, foi originalmente um símbolo indo-europeu de fertilidade.

Este símbolo é uma derivação da Cruz Solar e aparece por toda a Europa desde o terceiro milênio a.C. (Idade do Bronze), tendo sido utilizado, sobretudo pelos povos Celtas (Celtiberos, Gauleses e Gaélicos), mas também pelos povos nórdicos.

Apesar de muitas vezes ser confundido com um símbolo da Cristandade, a Cruz Celta é muito anterior, com algumas representações datadas de 5.000 a.C.

Com a conversão da Inglaterra ao Cristianismo, o símbolo foi rapidamente absorvido pela nova ordem social e transformado numa cruz cristã.

Cada povo tem sua espiritualidade, cada época também. Como entidades vivas que são as religiões evoluem e se transformam ao longo do tempo; adéquam às mudanças sócio-culturais, absorvem elementos trazidos pelo contato (pacífico ou belicoso) com outras culturas, desenvolvem-se continuamente num processo orgânico e irresistível.

A espiritualidade Celta não é exceção: desde suas origens remotas até nossos dias, ela mantém-se viva e vigorosa, manifestando-se de diversas formas através das eras: no estudo do druidismo histórico, no “reconstrucionismo” moderno, no folclore das terras outrora habitadas por tribos Celtas, nos elementos absorvidos pelo Cristianismo que por ali se desenvolveu, nas modernas re-interpretações, na música e na literatura produzida em idiomas Celtas, nos movimentos nacionalistas das nações Celtas.

Evidentemente, cada uma dessas múltiplas manifestações é incapaz de apresentar ou representar a Alma Celta por inteiro: quando muito, retratam uma de suas várias facetas. Até por isso, aos desejosos de compreender a herança Celta e desfrutar de sua riqueza fica a certeza de que jamais podemos supervalorizar qualquer uma dessas manifestações em detrimento das demais, sob pena de terem uma visão muito simplista – para não dizer distorcida – do que é, de fato, a Alma Celta.

Neste blog você irá encontrar uma reunião de informações dos mais diferentes seguimentos do saber, das ciências e das artes.
Espero que gostem, aguardo seus comentários e sugestões. Z3view@gmail.com



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Cinema em Guaratinguetá: últimos capítulos do filme "Aconteceu nos Mottas"

Aconteceu nos Mottas - capítulos finais

Aconteceu nos Mottas parte 17


Aconteceu nos Mottas parte 18 


Aconteceu nos Mottas final


A fascinante religião pré-histórica da Inglaterra

Terceira parte

Idade do Ferro (750 a.C. – 42 d.C.)

Antigo símbolo Celta 
A Idade do Ferro foi um período onde os humanos de todo o mundo começaram a aprender a extrais e derreter este metal para fabricar armas, ferramentas e utensílios.

O uso do ferro foi, ao longo dos anos, se espalhando pelo mundo, e chegando à Grã-Bretanha por volta de 750 a.C. E tornando-se conhecido dos celtas por volta de 450 a.C..

Para a história, os celtas surgiram – bem timidamente, é verdade – por volta de 500 a.C., segundo testemunho deixado pelos gregos, depois pelos romanos. Mas isso não significa que eles não tenham existido antes dessa data: as descobertas arqueológicas mais recentes indicam que a civilização estaria em algumas regiões da Europa desde o fim da Idade do Bronze, isto é, entre 900 e 700 a.C. Fala-se até em “protoceltas”, sem que se possa definir com precisão a qual etnia pertencia, nem sua área de ocupação.

A aparição dos celtas, não importa qual seja sua especificidade, corresponde ao início da utilização do ferro, o que faz com que, com freqüência, se confunda a civilização céltica com da Idade do Ferro.

Reconstrução de uma casa Celta
Não existiu uma raça céltica, como também nunca houve um império céltico nos moldes romanos: o que uniu os celtas foi uma comunidade de língua, religião, estrutura socioculturais e, em última analisa, um estado de espírito. Aqueles que chamamos de celtas não passam, na sua origem, de uma pequena elite guerreira e intelectual que se sobrepôs, em um dado momento, aos povos que habitavam a parte ocidental da Europa. Essa elite “celtizou” as populações nativas e arrasto-as em sua agitação política, cultural e religiosa. Assim, nasceram as civilizações célticas.

Na religião céltica os druidas eram sacerdotes, a natureza e as questões sobre respeito à vida acima de qualquer coisa é o ideal de um druida, sendo curandeiros possuíam o papel de curar a si mesmo, a comunidade e a natureza. Como os maiores sábios e seres dotados de dons especiais, os druidas eram conselheiros de reis e sacerdotes das tribos. Praticamente tudo que é sabido sobre os druidas, foi relatado por historiadores gregos e romanos que tiveram contato com os celtas nos séculos que antecederam ao cristianismo. Descreveram como poderosos sacerdotes dos povos celtas, sábios e juristas, poetas, contador de mitos e lendas, místicos e conselheiros. 

A raiz da religião dos celtas era a baseada na reverência a Grande Deusa Mãe. A natureza era a expressão máxima da Deusa Mãe. A divindade máxima era feminina, a Deusa Mãe, cuja manifestação era a própria natureza e por isso a sociedade celta, embora não fosse matriarcal, mesmo assim a mulher era soberana no domínio das forças da natureza. A religião celta era politeísta com características animistas, sendo os ritos quase sempre realizados ao ar livre. O calendário anual possuía várias festas místicas, como o Imbolc e o Belthane, assim como celebrações dos equinócios e solstícios.

Os celtas eram conhecidos pela cremação de seus mortos (normalmente, isso é visto como uma forma de libertar as almas dos mortos do receptáculo de carne), que os diferia dos povos anteriores, que enterravam os corpos em monumentos tumulares. 
Sabemos pouco sobre esses povos tão influenciadores de mitos em toda a Europa, porque eles não usavam a escrita para transmitir sua sabedoria, praticando a tradição oral como meio de preservação de seu conhecimento. Ao contrário de religiões que têm como base textos sagrados dogmáticos, os celtas não ficam limitados a escrituras ou leis.
Um celta segue as estações do ano, e o ciclo da Natureza. Um celta não segue regras como qualquer religião, pois tudo é baseado na naturalidade e no amor que a natureza perfeita criou seus rituais não devem ser escritos, mais sim sentidos no fundo do ser e conectado ao universo com a inspiração que é denominada como magia.

O mistério de um celta é a conexão do ser com a Natureza, outra pessoa, o mundo em que vive seu trabalho, seu alimento, seus desejos mais intensos. Tudo emana energia do ser o ser é energia. Toda energia é sagrada e deve ser respeitada e honrada. Assim como todas as formas de vida sem exceção.

Os druidas não construíam templos, pois criam que, para adorar os deuses da natureza, o melhor a fazer era integrar-se a essa natureza. O próprio termo “druida” está relacionado às árvores – uma tradução aproximada dos componentes originais da palavra é “aquele que tem a sabedoria do Carvalho”, árvore venerada pelos druidas.

O fato inquestionável, contudo, permanece que a cultura celta possuía – como costuma acontecer em sociedades não-urbanas – uma íntima e profunda ligação com a Natureza e seus ciclos; isso fica claro nos festivais sagrados celebrados pelos druidas em cada uma das estações do ano, honrando a transformação e as mudanças da paisagem e dos ciclos da vida. Quando as legiões romanas invadiram as terras celtas, trazendo consigo os conceitos da urbanização e da guerra de anexação, o druidismo sofreria um golpe fatal.

Mas é bom deixar claro que nem druidas, nem celtas eram “ecologistas”, hippies “paz e amor” ou tranqüilos “mestres zen”: a cultura celta, como todas as de origem indo-européia, era belicosa e a guerra era parte dessa sociedade. Muitas disputas, até mesmo entre druidas, eram decididas na ponta da espada. Estamos falando da Idade do Ferro européia.

Cinema em Guaratinguetá: Aconteceu nos Mottas

Aconteceu nos Mottas parte 13

Aconteceu nos Mottas parte 14


Aconteceu nos Mottas parte 15


Aconteceu nos Mottas parte 16


segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

A fascinante religião pré-histórica da Inglaterra

Segunda parte


Zé Carlos em Avebury
Dando continuidade a última postagem, hoje  eu quero mostrar dois períodos em que a Inglaterra teve no passado: O Neolítico e a Idade do Bronze. Vamos ver como o homem daquela época se comportou fazendo religião e sepultando seus mortos.

Neolítico (4.000 – 2.500 a.C.)

O Neolítico pode ser definido como o momento em que os ser humano passa a dominar a natureza, iniciando desenvolvimento da agricultura e da pecuária. O homem torna-se então sedentário, abandonando o nomadismo que o caracterizava.

É também o período de construção dos monumentos megalíticos. São grandes construções de culto aos mortos e de rituais religiosos.

Os monumentos podem ter dois aspectos: menir e o dólmen. O primeiro é um bloco de pedra colocado verticalmente. O menir é certamente o monumento megalítico mais puro e mais simples: Uma pedra bruta ou apenas retocada, colocada no solo. Desde que se estudam estas pedras erguidas, todos se interrogam sobre seu real significado. Se os dolmens tinham uma utilidade imediata e hoje reconhecida, servindo de túmulos e às vezes de templos, os menires são antes símbolos, testemunhos deixados pelos homens do Neolítico às gerações futuras. O menir tem quase sempre a forma fálica, alguns contêm incisões em relevo, de significado desconhecido.

Menir
O dólmen consiste em duas ou várias lajes de pedra fixadas verticalmente entre as quais repousa horizontalmente uma terceira laje. Os dolmens são dos mais importantes e sem dúvida os mais disseminados monumentos megalíticos. Os dolmens foram sem dúvida túmulos. Os dolmens não são monumentos excepcionais e a pratica de sua construção devia ser coisa corrente durante dois milênios. Alguns foram descobertos à apenas um século. Estes monumentos são pedras largas e compridas colocadas horizontalmente sobre outras verticais, como mesas sobre as suas pernas.

É neste período que os cultos adquiriram uma estrutura mais organizada: as festividades acompanhavam a Roda do Ano e comemoravam datas importantes do calendário agrícola. Os rituais para os mortos passaram a ser mais importantes; por volta de 3.500 a.C., começaram a serem construídas as câmeras mortuárias dólmen. No dólmen eram sepultados apenas os ossos dos cadáveres, depois de serem descarnados ao ar livre pelas aves de rapina, estes eram enterrados com vasilhas de comida e bebida, armas, vários objetos pessoais e jóias.

Dólmen
 Alguns túmulos eram cercados de pedras no formato de círculos, com uma dupla finalidade: impedir que os espíritos dos mortos vagassem sobre a terra e para protegê-los de entidades espirituais maléficas. Um possível exemplo é Avebury no sul da Inglaterra, no condado de Wiltshire, onde existe um famoso círculo de pedra.

É um dos melhores e maiores monumentos Neolíticos da Europa, datando de 5.000 anos atrás. Originalmente era composto por 200 pedras eretas, pesando até 60 toneladas cada, que se encontravam dispostas em três círculos; uma combinação de fosso e rampa rodeava o conjunto. Sua finalidade original é desconhecida, embora os arqueólogos acreditem que ele pode ter sido utilizado para o culto aos antepassados.
Avebury, Inglaterra foto By: Z3 View
Os cultos aos ancestrais desempenhavam um papel fundamental a cultura Paleolítica, pois os antepassados eram vistos como protetores e guias da comunidade e deviam ser honrados.

Idade do Bronze (2.500 – 600 a.C.)

Pelo ano de 2.500 a.C., um afluxo de migrantes instalou-se na Inglaterra. Esses recém-chegados foram chamados os Beaker people (povo da taça) por causa da forma dos vasos de cerâmica, que são tão freqüentemente encontrados em suas tumbas. Os recém-chegados, embora poucos num primeiro momento parece ter se instalado rapidamente no sul da Inglaterra. O povo Beaker eram agricultores e arqueiros, eles também foram os primeiros metalúrgicos na Inglaterra, trabalhando primeiro em cobre e estanho, e mais tarde o bronze, que deu seu nome a esta época. 

Eles viviam freqüentemente agrupados em cemitérios familiares. A divindade principal ainda era a Mãe Terra, que assegurava a sobrevivência de todos os seres e recebia em seu ventre sagrado os mortos à espera do renascimento.

Um exemplo de túmulo daquela época é o monte de Silbury Hill. Silbury Hill é um monte de terra artificial a 40 metros de altura, é o mais alto monte feito pelo homem pré-histórico da Europa. Um dos monumentos mais misteriosas da Inglaterra. Construído camada por camada por mais de 100 anos, teve seu término por volta de 4.500 anos atrás. Uma investigação feita pela BBC em 1969 descobriu um estreito corredor que conduzia a uma câmera funerária subterrânea.
Silbury Hill, Inglaterra foto By: Z3 View
Esta representação de corredor e câmera (com formas uterinas) representa o canal vaginal e o útero materno. Ao lado das ossadas ali sepultadas eram intencionalmente depositadas urnas quebradas, que simbolizavam a deterioração do corpo físico e a liberdade do espírito. Colocavam também estatuetas femininas e colares de âmbar, precioso não apenas por serem jóias, mas também por serem oferendas para a Deusa Criadora e Ceifadora da Vida. A sociedade daquela época era matrilinear e matrifocal e a mulher eram vista como representante da Deusa na Terra e era sempre respeitada e honrada.

Stonehenge é um conjunto megalítico construído há milênios na planície de Salisbury, na Inglaterra. Embora profanado pelo tempo e pelos homens, em nada se perdeu da sua beleza e de seu esplendor. Stonehenge é construído, em sua parte central, por enormes monólitos de pedra azul que, segundo a opinião dos geólogos, deve ter sido trazida das montanhas Presely, a sudoeste do País de Gales (cerca de 213 Km em linha reta). Nos círculos mais externo é realmente formada por pedras locais, mas primorosamente preparadas.

Durante séculos especulou-se sobre as finalidades dessa estrutura. Mas um arqueólogo acredita ter encontrado finalmente o verdadeiro significado de Stonehenge, cercado de mistério durante mais de 4.500 anos.
Santuário de Stonehenge, Inglaterra foto By: Z3 View
Analisamos a revolucionária teoria do arqueólogo britânico Mike Parker Pearson, que considera este antigo monumento o centro de um dos maiores complexos religiosos pré-históricos do mundo. A sua equipe encontrou provas surpreendentes que embasam uma nova interpretação de Stonehenge e das pessoas que o construíram.

A poucos quilômetros de Stonehenge, as revelações começam quando a equipe descobriu a primeira evidência de que existiu ali um assentamento há 4.500 anos. Com pelo menos 300 casas, é o maior assentamento da Idade da Pedra no norte da Europa. No centro está às ruínas de um misterioso segundo círculo. As escavações e os testes de carbono revelaram que esse monumento perdido era, na verdade, uma réplica aproximada de Stonehenge, mas feito de madeira, e que os dois círculos foram erguidos ao mesmo tempo.

Stonehenge
Enquanto investigam como os dois podem estar relacionados, os arqueólogos já fizeram outra descoberta surpreendente: havia uma avenida imponente com 30 metros de largura feita de sílex prensado, saindo do segundo círculo de madeira de Durrington Walls. É a única via desse tipo encontrada na Inglaterra, e segue diretamente para o rio Avon, localizado nas proximidades. Houve outras descobertas mais impressionantes. Fossas cheias de ossos de animais dão pistas sobre a vida do antigo povo que construiu Stonehenge. Escavações para pilares encontradas numa colina acima do rio podem fornecer novas idéias sobre a forma como eles tratavam os mortos - e o papel que o grande círculo de pedra tinha nos rituais.

Parker Pearson acredita que Stonehenge foi construído para ser um centro religioso onde se realizavam solenes cerimônias aos antepassados. As novas escavações revelam que ele era ligado por grandes avenidas, destinadas a procissões, a outro grande círculo, construído em madeira - que representaria o mundo dos vivos. O monumento está alinhado com o nascer do Sol no Solstício de Inverno e com o Pôr-do-Sol no Solstício de Verão.



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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A fascinante religião pré-histórica da Inglaterra

Santuário de Stonehenge, foto By: Z3 View

Primeira parte

Zé Carlos
Neste post você encontrará o resumo do resumo de um estudo, onde analiso as evidências da religião pré-histórica dos antigos habitantes da Inglaterra.

O livro “The Pagan Religions of the Ancient British: Their Nature and Legancy”, de Ronald Hutton historiador e professor do Bristol University, foi o fator que me motivou a fazer está pesquisa.

Uma das descobertas mais fascinantes da minha vida tem sido de que a maioria do que estamos acostumados a chamar de espiritualidade teria sido sem sentido para os antigos habitantes da Inglaterra. Por espiritualidade quero dizer todo o cristianismo ortodoxo. Esta conclusão não foi fácil, nem foi súbita: ela veio a mim ao longo dos anos, como resultado de muito estudo e pesquisa.

Grã-Bretanha pré-histórica

Há uns 15.000 anos atrás a Grã-Bretanha não era um conjunto de ilhas. Nessa época, o sul da ilha estava ligado à Irlanda e a Europa Continental por uma ampla ponte de terra, no local ocupado atualmente pelo Canal da Mancha, permitindo a livre movimentação entre os dois territórios que era coberto de gelo da última Era Glacial.

Mesmo assim, o homem chegou ao território há cerca de 40.000 anos, no período Paleolítico (Idade da Pedra) onde ocorreu a mais antiga ocupação do território pelo homem.

Mas devido às condições difíceis da última Era Glacial, fugiram para o sul. Há cerca de 10.000 anos atrás, o clima do Planeta Terra começou a esquentar. O nível do mar subiu com o derretimento das placas de gelo, separando a Grã-Bretanha do continente europeu por volta de 6.000 anos atrás.

As pessoas que viviam nas ilhas da Grã-Bretanha eram descendentes dos primeiros humanos modernos, ou Homo Sapiens, que chegaram ao norte da Europa cerca de 30.000 - 40.000 anos atrás.

Numa terra praticamente virgem, homens, mulheres e crianças viviam em bandos isolados uns dos outros, os maiores podiam chegar a 200 pessoas. Alimentavam-se do que conseguiam com uma agricultura muito rudimentar, da caça e do que simplesmente catavam no mato. Eram seminômades, ou seja, ficavam num lugar apenas tempo suficiente para comer o que estava ao seu alcance, aí levantavam acampamento e iam embora. Suas vilas não eram nada mais do que simples acampamentos. Não construíam muita coisa além de totens ou amontoados de pedras. Não criaram escritas. Não tinham sistema político e seus líderes eram uma mistura de patriarca com guia espiritual.

Com a introdução da agricultura, as pessoas aprenderam a produzir em vez de adquirir sua alimentação, é amplamente considerada como uma das maiores mudanças na história humana.
Esta mudança aconteceu diversas vezes em vários lugares diferentes ao redor do mundo. O conceito de agricultura que atingiu a Grã-Bretanha entre cerca de 5.000 a.C. e 4.500 a.C., se espalhou por toda a Europa a partir de origens na Síria e no Iraque entre cerca de 11.000 a.C. e a.C. 9.000.
A mudança de um caçador-coletor para um modo de vida de produção agrícola é o que define o início do Neolítica ou Nova Idade da Pedra.
2.700 a.C., uma nova cultura chegou à Grã-Bretanha. As fases megalíticas de Stonehenge datam a esse período. Foi nesse período que a Idade do Bronze chegou à Grã-Bretanha. Durante os próximos mil anos, o bronze gradualmente substituiu a pedra como o principal material para a confecção de ferramentas e armas.
Por volta de 750 a.C. a técnica do trabalho em ferro chegou a Grã-Bretanha do sul da Europa. O ferro mais forte e mais abundante do que o bronze prevaleceu, e sua introdução marca o início da Idade do Ferro. O trabalhar em ferro revolucionou muitos aspectos da vida. Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Grã-Bretanha, dando origem naquele continente à Idade do Ferro.

Os celtas viviam da agricultura em pequenos grupos de vilarejos no centro de suas plantações. Era um povo que também praticava a guerra e lutaram bastante contra a população que já vivia na Grã-Bretanha e contra outras tribos celtas.

A sociedade céltica era costumeiramente organizada através de clãs, onde várias famílias dividiam as terras férteis. A hierarquia mais ampla da sociedade céltica era composta pela classe nobiliárquica, os homens livres, servos, artesãos e escravos. Além disso, é importante destacar que os sacerdotes, conhecidos como druidas, detinham grande prestígio e influência.

A religiosidade dos celtas era marcada por uma série de divindades que possuíam poderes únicos ou tinham a capacidade de representar algum elemento da natureza ou animal. Com o passar do tempo, alguns mitos e deuses foram incorporados pelo paganismo romano e, até mesmo, na trajetória de alguns santos cristãos.

Os romanos protagonizaram a primeira grande invasão à Grã-Bretanha em 44 a.C.. As terras  que hoje são do Reino Unido foi parte do império romano por 400 anos. Até hoje, não é difícil encontrar pelo Reino Unido muitos sinais do império romano, como ruínas, estradas, fortes, casas de banho, monumentos, etc.
Por volta do ano 400 d.C. os anglo-saxões invadiram a Grã-Bretanha. A parte conquistada, entretanto foi dividida em diversos reinos, que muitos hoje são condados com os mesmos nomes. Lembre-se que até então não existiam os nomes Inglaterra, Escócia, País de Gales ou mesmo Reino Unido.
Lá pelo ano de 790 d.C., os Vikings dominaram a Grã-Bretanha por aproximadamente 300 anos e foram em grande parte responsáveis por algumas divisões políticas até hoje existentes no Reino Unido.
Religião primitiva no Paleolítico (30.000 – 10.000 a.C.)
Indícios arqueológicos demonstram que a área hoje conhecida como o sul da Inglaterra foi povoada bem antes do restante das Ilhas Britânicas, devido ao clima ameno entre e durante as diversas idades do gelo. É neste período que começa nosso estudo.
Apesar de convencionar-se a consolidação da religião no período Neolítico, a arqueologia registra que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto à mulher da Grande Deusa Mãe. A Deusa era a grande Mãe Natureza, geradora, sustentadora e fonte de toda a vida.
Grande Deusa Mãe de Willendorf
Quando o homem adquiriu noção das estações do ano, esboçaram-se as primeiras idéias sobre a Roda do Ano (A Roda do Ano ou Círculo Sagrado, é o que simboliza a concepção de tempo do homem primitivo e posteriormente dos Celta. Eles não viam o tempo de forma linear, mas circular, cíclico). Havia um período quente e fértil, onde se realizavam as colheitas e a natureza mostrava todo seu esplendor. Neste período, reinava a Deusa em seu aspecto de Mãe Fértil. Mas havia outro período, o frio e escuro, quando as folhas das árvores secavam e caíam e tudo parecia estar morto.
O povo voltava a depender da caça para sobreviver, pois não podia viver dos alimentos coletados. Quem regia este período era o Deus da Morte (nesta época nasceram também os primeiros conceitos sobre a vida após a morte). As culturas desenvolveram-se com o passar dos séculos, e novos aspectos dos deuses foram descobertos. Cultos religiosos se estruturaram, centrados nos ciclos de nascimento, morte e renascimento da natureza. O tempo da plantação e o tempo da colheita eram muito importantes, marcados com festivais.

Roda do Ano
Este homem, o homem Neandertal da Grã-Bretanha é caracterizado como de altura baixa (em média 1.6 m), musculatura vigorosa, poderosa mandíbula e crânio desenvolvido. Ele era do frio, já que na Grã-Bretanha havia glaciações. Para se proteger do frio, ele se instalava em cavernas ou construía tendas de pele. Caçava, pescava, cozinhava seu alimento e fabricava instrumentos de pedra. Além disso, o Neandertal enterrava seus mortos. A prática do sepultamento revela uma preocupação com a vida após a morte, outro aspecto recheado de significados é a posição em que o corpo é encontrado, ele é virado para o leste, marcando a intenção de tornar o destino da alma solidário com o curso do sol, com a esperança de um renascimento. E também é posto em forma fetal, tendo a terra, no caso a cova, o simbolismo do útero. Oferendas e diversos tipos de adornos foram encontrados, que provavelmente serviriam para acompanhar na vida após a morte.
Sepultamento pré-histórico no Paleolítico

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