domingo, 11 de dezembro de 2016

Vasos Canópicos


A mumificação eram os rituais funerários dos antigos egípcios. O termo vem de Canopo era nome de uma cidade costeira egípcia localizada na região do Delta do Nilo, perto da atual cidade de Alexandria. Os órgãos dos mortos eram removidos e preservados em vasos especializados conhecidos como canópicos. Retiravam o fígado, os pulmões, o estômago e os intestinos. Os egípcios não tiravam o coração, porque acreditavam que seria necessário no dia do julgamento. Cada órgão era envolto em linho coberto de óleo e colocado em um vaso separado e lacrado. Os tipos desses artefatos evoluíram ao longo da história egípcia.
Os tipos mais simples de vasos canópicos vieram do Império Antigo, que se estendeu de 2575 a.C. a 2130 a.C. Estes vasos não eram decorados , inscritos ou entalhados. Eles consistiam em peças simples, lisas com tampas planas. Conforme a era progrediu, as tampas evoluíram para os formatos de cúpula. Mais tarde, no Império Médio, entre 1938 a.C. e 1630 a.C., as tampas dos vasos canópicos eram esculpidas para se parecerem com cabeças humanas com rostos pintados.

Vasos Canópicos
A partir da 19ª dinastia até o fim do Império Novo, que durou de 1539 a 1075 a.C., os vasos canópicos evoluíram estilisticamente. Em vez de cabeças humanas, eram esculpidas imagens dos quatro filhos do deus Hórus. As mudanças nas práticas funerárias na 21ª até a 25ª dinastia levaram os egípcios a devolverem os órgãos embalsamados para o corpo antes da mumificação. Durante este tempo, 1075-664 a.C., uma imitação dos vasos canópicos era colocada na tumba do falecido. Esses simulacros se pareciam muito com os vasos do Império Novo. As tampas representavam imagens esculpidas dos filhos de Hórus, mas o corpo dos frascos não tinha uma cavidade interna.
Os retratos dos quatro filhos de Hórus são os tipos de tampa canópicos mais facilmente reconhecidos. Acreditavam que estes deuses padroeiros vigiavam e protegiam os órgãos internos do falecido. A cabeça esculpida em cada vaso também era utilizada para identificar qual órgão guardava. Aquele que continha os pulmões tinha a cabeça de um babuíno, também conhecido como Hapi. O frasco com a cabeça de falcão era o deus patrono Kebehsenuef e guardava os intestinos. O estômago era colocado no vaso com a cabeça de chacal, também conhecido como Duamutef. Finalmente, o fígado era posto dentro no com a cabeça de um homem, representando o deus Imseti.
Os tipos de vasos canópicos estavam disponíveis em diversos materiais, incluindo calcita, madeira, pedra, cerâmica, bronze, alabastro e ouro. Os ricos tinham vasos feitos de compostos de melhor qualidade. Os materiais mais baratos eram usados ​​para os menos afortunados. Assim como os tipos de vasos mudaram ao longo do tempo, o mesmo aconteceu com sua decoração. O que começou como simplesmente decorado evoluiu para uma escultura elaborada, entalhada, pintada e inscrita no corpo dos vasos. As decorações representavam tipicamente imagens dos deuses. Há também variações quanto ao tamanho dos vasos. O gargalo era tipicamente entre 12 e 25 cm de diâmetro.

Fonte: 
Casandra MaierTipos de Vasos Canópicos, 2013.
Rosalie David, Religião e magia no Antigo Egito, Ed. Difel, Rio de Janeiro, 2002

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

"A Noite dos Cristais Quebrados" - 09/11/1938

09-11-1938



Na noite de 9 de novembro de 1938 teve início a onda de violência contra os judeus em todo o Reich. Embora os ataques parecessem espontâneos, como se fossem uma revolta natural da população alemã contra o assassinato de um oficial daquele país por um adolescente judeu em Paris, na verdade, o ministro alemão da propaganda, Joseph Goebbels, e outros líderes nazistas haviam organizado os pogroms [chacina dos judeus] cuidadosamente, muito antes deles acontecerem. Num período de apenas dois dias, mais de 250 sinagogas foram queimadas, cerca de 7.000 estabelecimentos comerciais judaicos destruídos, dezenas de judeus foram mortos, e cemitérios, hospitais, escolas e casas judias saqueadas, tudo ante a total indiferença da polícia e dos bombeiros e da população. Os pogroms ficaram conhecidos como Kristallnacht  ou "Noite dos Cristais", devido aos vidros estilhaçados nas vitrines das lojas, sinagogas e moradias de judeus.



Na manhã seguinte, 30.000 judeus alemães do sexo masculino foram presos pelo “crime” de serem judeus, e enviados a campos de concentração onde centenas acabaram morrendo. Algumas mulheres judias também foram detidas e enviadas para prisões locais. Estabelecimentos comerciais de propriedade de judeus não puderam ser reabertos, exceto os que passaram a ser gerenciados por não judeus. Toques de recolher foram impostos, limitando as horas do dia em que os judeus podiam sair de suas casas.
Após a “Noite dos Cristais”, a vida de adolescentes e crianças judias na Alemanha e na Áustria se tornou ainda mais difícil: além de serem barrados em museus, parques e piscinas, também foram expulsos das escolas públicas. Os jovens, assim como seus pais, passaram a viver totalmente segregados naqueles países. Desesperados, muitos judeus cometeram suicídio. As famílias judias desesperadamente passaram a tentar sair da Alemanha e da Áustria.

Fonte: Copyright © United States Holocaust Memorial Museum, Washington, DC


domingo, 30 de outubro de 2016

VATICANO




Entender Roma é perceber que ela é uma cidade repleta de segredos, com mais de três milénios de mistérios, e não há nenhuma parte de Roma que encerre mais segredos do que o Vaticano. O próprio nome “Vaticano” tem uma origem surpreendente: há mais de 28 séculos, antes mesmo da lendária fundação de Roma por Rómulo e Remo, vivia naquele local um povo chamado Etrusco. Tal como os hebreus e os romanos, os etruscos não enterravam os seus mortos dentro dos muros das cidades. Por este motivo, construíram um cemitério enorme numa encosta de uma colina local que, mais tarde, se viria a edificar a cidade de Roma. O nome da deusa etrusca pagã que protegia a necrópole, ou cidade dos mortos, era Vatika.
Mais tarde, nesse local foi construído o circo de Nero, o imperador louco. Foi neste circo, segundo a tradição da igreja, que São Pedro foi executado, crucificado de cabeça para baixo, e enterrado numa área próxima. Este local tornou-se o lugar de visitação de um número tão grande de peregrinos que o imperador Constantino, ao transformar seu império parcialmente ao cristianismo, fundou um santuário na zona que os romanos continuaram a chamar de colina Vaticana. Um século depois de Constantino, os papas começaram também a erguer neste lugar o palácio papal. Coincidências ou um lugar de atração negativa?
O que significa “Vaticano” nos dias de hoje? Pode referir-se à Basílica de São Pedro; ao Palácio Apostólico dos Papas, com mais de 14 mil aposentos; ao complexo dos Museus Vaticanos com mais de dois mil salas; à sede da hierarquia político-religiosa de cerca de um quinto da população humana; ao menor país do mundo, a Cidade do Vaticano. É de fato estranho se pensarmos que o menor país do planeta, com uma área aproximada de um oitavo do Central Park de Nova York, abriga a maior e mais valiosa igreja do mundo, o maior e mais sumptuoso palácio do planeta e um dos maiores museus da Terra.
Sou Deísta

Fontes:
-       Roman Catholicism, Loraine Boettner,PRP, Co., Rock Port,1985.
-       Os Arquivos Secretos do Vaticano, Sérgio P. Couto, Ed. Gutemberg, S.P., 2013.
-       Dark Mysteries of the Vatican, H. Paul Jeffers, US Publisher, 2009.
Vaticano, Joaquim Nogueira, Ed. Horizonte, Lisboa, 2012.

sábado, 29 de outubro de 2016

Os Evangelhos Canônicos e os Evangelhos Rejeitados



O cristianismo que temos, não é uma obra natural que fluiu, normalmente, conforme os fatos se desenrolaram, mas uma forma literária e formal citada pela Igreja de Roma de acordo com as próprias conveniências e as do governo imperial.
No primeiro século do cristianismo, as comunidades primitivas não eram detentoras dos textos, como hoje os conhecemos; o que se tinha como ensinamento de Jesus era baseado nas epístolas de Paulo, que foram escritas antes dos evangelhos.
Nenhum dos Primeiros Pais da Igreja, inclusive Irineu, cita qualquer passagem que conhecemos. E mais... citam muitas passagens que somente são encontradas nos evangelhos apócrifos, rejeitados pelos canônicos. Isso nos leva a conclusão de que os textos em que os comentaristas primitivos se apoiaram não são os quatro evangelhos canônicos, utilizados hoje pelas igrejas cristãs. Eles vieram depois, num processo contínuo, em que os ortodoxos foram construindo a visão de Deus, Cristo e Igreja.
No sentido de desvendar o que de fato Jesus teria transmitido, comparando-se com o que hoje temos, ficamos a imaginar quais seriam seus ensinamentos em sua pregação oral? O que existe de verdade, o que existe de fantasia, e o que sobrou, na realidade, da essência de seus ensinamentos? Para buscarmos a pureza da personalidade e os ensinamentos de Jesus, só o retorno aos textos evangélicos na essência primitiva. Mas como conseguir esta façanha? Só mesmo com raras descobertas de textos enterrados em alguma caverna.
Quando analisamos “os ditos” do evangelho Gnóstico de Tomé – encontrado em 1945 – deparamos com pensamentos, às vezes diametralmente opostos daquilo que temos hoje. Dentr os inúmeros livros considerados apócrifos e que foram banidos pela Igreja, os estudiosos sustentam que o mais próximo dos verdadeiros ensinamentos de Jesus e da Igreja primitiva é esse evangelho de Tomé. Acreditam os pesquisadores que as versões dos ditados de Jesus nele encontrados, seriam, em geral, versões mais originais do que a dos evangelhos canônicos, que teriam sofrido modificações e editorações ao longo dos séculos.
Quando se refere aos documentos cristãos, é bem verdade que nenhum dos livros que foram incluídos no Novo Testamento, ou mesmo, qualquer livro cristão da Antiguidade têm os seus originais. Os pesquisadores trabalham com cópias dos originais, ou para ser mais exato, são cópias feitas de cópias dos originais. A grande maioria dessas cópias, que chegaram até nós, está a centenas de anos dos originais.
O cristianismo dos primeiros tempos não se constituiu num único bloco ortodoxo e monolítico, como muitos pensam, várias correntes do pensamento de Jesus surgiram em antagonismo, pois, conforme já notamos, em incalculável número, os textos circulavam nos tempos iniciais da “formatação” do cristianismo, com anotações díspares sobre a vida e ensinamentos de jesus, cada qual seguindo determinado líder religioso. Daí, o porquê do surgimento dos vários evangelhos, segundo narram os pesquisadores, chegando a mais de 70.
É preciso, portanto, cautela sobre o que herdamos e que chegou até nós como palavras dele. Reafirmamos: o que temos retratado nos evangelhos canônicos foi fruto de construção teológica, ao longo dos tempos, com o objetivo de formatar Igreja com os líderes eclesiásticos e agregar, numa única estrutura harmoniosa, os grupos cristãos, Constantino incumbiu, à sua custa, os lideres de igrejas de todo o império de se reunirem em Nicéia, na Ásia Menor, para elaborarem uma fórmula-padrão de fé cristã. Dessa reunião e suas consequências, nas décadas tumultuadas que se seguiram, surgiu o Credo de Nicéia, que iria esclarecer o redigir o cânone da verdade, juntamente com o que chamamos de cânone: a relação de 27 textos que comporiam o Novo Testamento e que ajudariam a estabelecer o que Irineu tinha visualizado – uma reunião mundial, numa igreja “católica e apostólica”, de cristãos “ortodoxos”. Uma coisa importante a destacar é que o Imperador estava interessado na unificação do Estado, e para isso, ele queria que a religião cristã fornecesse a base ideológica ao império. Assim, a religião passou para controle firme do imperador.
Hoje, sabe-se que muitos dogmas, ritos, sacramentos e estruturas administrativas foram adicionados aos evangelhos para dar sustentação às decisões dos diversos Concílios: Doutrina da Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo -, nascimento virginal, ressurreição da carne, nomeação de Pedro como sucessor e encarregado de fundar a Igreja, salvação pela Igreja, céu e inferno, milagres, demônio, juízo final, divindade de Jesus, perdão dos pecados, as penas eternas, entre tantas outras ideias inconcebíveis pela lógica. Tais inserções mostram-nos, sobejamente, a descaracterização do cristianismo dos primeiros tempos e sua divulgação à população como se fossem palavras de Jesus. Não aceitamos, obviamente, este “produto” que se constituiu numa “construção”, que mais serviu aos interesses administrativos e políticos, do que, propriamente, atender aos princípios iniciais da pureza dos ensinamentos de Jesus, que foram como dissemos, adicionados, cortados, com a tesoura dos interesses do domínio do poder temporal.
Sou Deísta

Fontes:
The Orthodox Corruption of Scripture, Barte D. Ehrman, Oxford University Press, New York, 1993.
The Mythmaker Paul and the Invention of Christianity, Hyam Maccoby,Weidenfeld and Nicolson, London, 1986.The Goddess in the Gospels, Margaret Starbird, Bear & Company, Rochester, 1998.
The Last Gospel: the book of Q & Christian Origins, Burton L. Mack, Id Press, New York, 1993.
The Last Gospel, Barte D. Ehrman, Oxford University Press, New York, 2008.





terça-feira, 27 de setembro de 2016

Os Apócrifos e a Bíblia Canônica


É sempre interessante ler sobre história das religiões, religião comparada e mitologia.
Antes de seguir em frente, é preciso que se entenda o que é verdadeiramente um Evangelho Apócrifo. Ao contrário do que muitas instituições religiosas dizem, que os apócrifos seriam “escritos não inspirados”, portanto falsos, a verdade é que os apócrifos nada mais são do que documentos que não fazem parte do “cânone bíblico” judaico ou cristão – atual. Muitos dos chamados textos apócrifos, já fizeram parte da Bíblia, mas ao longo dos sucessivos concílios acabaram sendo eliminados por não satisfazerem os interesses da Igreja.

É preciso lembrar também que foram os padres da Igreja quem escolheram, sempre com muita briga, quais os evangelhos eram “divinamente inspirados” e quais não são. A pergunta que não quer calar é quais os critérios que eles utilizaram quando faziam suas escolhas. O Concílio mais famoso foi o Concílio de Nicéia, numa província de Anatólia, Turquia. Neste concílio, convocado pelo imperador romano Constantino ocorreu à primeira seleção de quais os evangelhos seriam os canônicos e quais seriam os apócrifos. Enfim, é preciso explicar que os evangelhos sempre foram retirados ou acrescentador ao Cânone oficial de acordo com as conveniências dos padres e dos bispos no poder, em cada época, certo? O que nos leva a concluir que o monopólio do Cristianismo está nas mãos da Igreja Católica. Mesmos as Bíblias cristãos protestantes e evangélicas, nada mais do que modificações da Bíblia como escolhida pelos primeiros padres. Algumas diferenças nas traduções, alguns textos amais ou a menos, mas no fundo, baseado nas mesmas Escrituras selecionadas e manipuladas pelos primeiros lideres da Igreja Católica. Então, por isso é tão importante a leitura e o conhecimento dos Apócrifos. Por terem sido considerados “não inspirados” e por causa disso não levados á sério, estes escritos permaneceram mais “puros” e sem manipulação ao longo dos séculos.
Pare se ter uma ideia, no início do Cristianismo haviam 315 evangelhos, e posteriormente foram reduzidos a 4 (!!!), no tal Concílio de Nicéia. Os que não concordavam eram considerados heréticos. Enfim, tudo isso sem falar que durante séculos os textos eram copiados e traduzidos a mão, o que aumenta ainda mais a probabilidade de que os textos que conhecemos hoje têm pouquíssimos a ver com os seus respectivos originais.


Sou Deísta

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A Evolução da Religião, o Homem e seus Deuse


Atualmente, a maioria da população acredita em um único Deus, mas nem sempre foi assim na história da humanidade; e é justamente desse assunto que este tópico aborda, oque mostra também a interessante evolução da religião humana. 
Devido ao surgimento de diferentes mitologias nos mais diversos lugares do mundo, e cada uma com suas peculiaridades, percebemos estudando esses povos que a religião era um reflexo de sua cultura, logo cada povo lapidou sua religião de maneira a ter uma maior identidade com eles próprios. 
É complicado conseguir relatos das primeiras religiões que surgiram entre os homens, mas sabemos que elas o acompanham há muito tempo, o que se crê é que as religiões bem antigas, possuíam uma concepção mais abrangente de deuses, o ser humano, precisava explicar os fenômenos que não entendia de alguma forma então ele atribuía fenômenos da natureza à entidades, os trovões, a primavera, a chuva, a fertilidade, o sol, a água, os animais, a vida, a morte, a lua, as estrelas, o fogo... Todos estes acontecimentos estavam aquém do pensamento da época, então era bem mais crível acreditar que eram seres etéreos que controlavam tudo. 
O sol, por exemplo, que dá a vida, a energia para a Terra, os povos antigos percebendo que no inverno quando a incidência solar era menor havia menos vida, então o sol era responsável por isso, então o homem agradecia ao sol e pedia-o por invernos mais brandos, por melhores colheitas, adorando-o. 
Ora se adorando o Sol, ele pode nos ajudar, e como os homens viviam em guerra, um deus da guerra seria interessante, para que o adorando tivessem sucesso nas batalhas. (YHVH TZABAOTH, por exemplo) 
Então ficou convencionado, a natureza é regido por seres etéreos, cada ser responsável por algo, nós, adorando-os e fazendo sua vontade teríamos a ajuda seja com a colheita, com as batalhas, um trabalho bem mais fácil, deixando a ele a responsabilidade pelos acontecimentos, em troca de venerá-lo. 
Mas teríamos um conflito, com muitas pessoas adorando a deuses diferentes, como no final saberíamos quem de fato tem o maior apoio, qual deus é mais forte? Bom, se cada deus é responsável por algo, existem vários... 
Um problema facilmente resolvido com a ideia de unidade, acreditando num único deus, seria mais simples adorá-lo sem haver a preocupação em desagradar outros e como seu poder seria único e absoluto, não haveria o que temer, já que orando para ele, ele está ao seu lado. 
Dessa possibilidade de se apoiar em algo que é extremamente poderoso, mais do que você até precisa, surgiu o conforto e esse conforto faz as pessoas gostarem da ideia de acreditar num deus, até hoje.
Interessante ressaltar que desde a antiguidade, os fenômenos desconhecidos que não eram explicados pelo homem, só podiam ser atribuídos pela igreja e pela ação dos Deuses; a medida que a ciência evoluiu e esses fenômenos passam a ser explicados pela ciência, as teorias da igreja começam a ruir e diminuir em uma sociedade mais esclarecida.
Porém, acredito que chegará um ponto em que a ciência passará a estudar cientificamente as questões fundamentais propostas pela igreja, como a origem da vida e a existência de vida após a morte, e é nesse ponto que a ciência e a religião poderão se unir em uma única doutrina.......mas ainda estamos muito longe disso, pois a religião atual não se preocupa em explicar nada, se preocupa apenas em ganhar fiéis e poder econômico e a ciência continua cética e muito materialista em algumas questões que já deveriam ser  estudadas com mais afinco (vide a cultura oriental que é muito mais aberta nesse sentido).

Sou Deísta






sábado, 30 de julho de 2016

Êxodo bíblico


O mito do êxodo hebreu no Egito é provavelmente um dos temas mais complicados a ser abordado pela a Arqueologia, isto porque fala justamente de crença religiosa de muitas pessoas da atualidade, e este assunto deixa os ânimos extremamente sensíveis. Infelizmente, apesar de abortar crenças modernas, ele tem sido tratado de forma tão pouco rigorosa que acaba sendo alvo de documentários e matérias esdrúxulas que criam um cenário bizarro.
O que torna a narrativa do êxodo hebreu tão polêmica é que, apesar de toda a manifestação em volta desta história, em termos de cultura material ou outros escritos que não sejam bíblicos não existe nada que fale da ocorrência de um êxodo da magnitude demonstrada no Antigo Testamento que tenha ocorrido no Egito, ou mesmo que se tenha existido uma comunidade israelita na época em que apontam a ocorrência do êxodo.
Embora a afirmação de que os egípcios jamais narravam suas derrotas seja válida em termos teóricos, na prática, a Arqueologia trabalha não só com documentos escritos, mas também com a cultura material, artefatos. Não há registro arqueológico ou histórico da existência de Moisés ou dos fatos descritos no êxodo. A libertação dos hebreus, escravizados por um faraó egípcio, foi incluída na Torá provavelmente no século VII a.C., por obra dos escribas do Templo de Jerusalém, em uma reforma social e religiosa. Para combater o politeísmo e o culto de imagens, que cresciam entre os judeus, então inventaram um novo código de leis e histórias de patriarcas heroicos que recebiam ensinamentos diretamente de Deus. A prova de que esses textos são lendas estaria nas inúmeras incongruências culturais e geográficas entre o texto e a realidade. Muitos reinos e locais citados na jornada de Moisés pelo deserto não existiam no século XIII a.C., quando o êxodo teria ocorrido. Esses locais só viriam a existir 500 anos depois.

Mosteiro de Santa Catarina e ao fundo Monte Sinais
Também não havia um local chamado Monte Sinai, onde Moisés teria recebido os Dez Mandamentos. Sua localização atual, no Egito, também é tardia. Por volta de 327 d.C, Helena mãe do imperador romano Constantino, construiu uma igrejinha na Península do Sinai. Em 527 d.C., Justino edificou o Mosteiro de Santa Catarina.

Embora em Gálatas capítulo 4 e versículo 25, o Monte Sinai se chama Monte Horebe, em Êxodo capítulo 3 e versículo 12, a Montanha onde Moisés esteve pastoreando, quando vivia com o sogro Jetro, ficasse em Midiã, na Arábia Saudita: para facilitar o turismo religioso, o inóspito local onde mitologicamente YHWH falou com Moisés através da Sarça ardente, foi transferido para o Monte Sinai, que fica no Egito, na Península do Sinai, cerca de 250 quilômetros do Monte Horebe.

Muitas pessoas acreditam em crenças mitológicas, eu fico com os fatos da arqueologia e dos relatos históricos.

Sou Deísta.